Quero iniciar antes de mais com o conceito de “paradigma” e a forma como o eu apreendo em diversas vertentes duma mesma realidade.
Paradigma (do grego Parádeigma) significa literalmente modelo. A representação de um modelo a ser seguido, norma, exemplo, padrão.
Um ponto de vista de uma realidade, um aspecto de uma suposta verdade, não a verdade em si, na sua totalidade. Se olharmos para a palma das nossas mãos apenas vemos um dos seus lados, não as vemos integralmente. Outra pessoa poderá vê-las, mas não verá o que nós vemos, a não ser que recorra a um espelho assim como nós também o possamos fazer. De qualquer forma estaremos sempre limitados pelo que a nossa mente consiga interpretar conscientemente.
A nossa mente interpreta sinais que derivam dos nossos sentidos, mas apenas consegue atribuir significado e apreender uma infíma parte do que eles captam, logo estamos condicionados no que respeita à apreensão da realidade.
O intelecto, a nossa capacidade de raciocínio entra então em acção e através da lógica forma um raciocínio que justifique e atribua significado ao que a nossa mente apreende vindo dos sentidos.
Não quero de forma alguma explicar detalhada e científicamente como este fenómeno se processa. Quero apenas evidenciar alguns conceitos de forma a realizarmos o quanto limitados somos no que respeita à capacidade de apreendermos a realidade e que essa realização nos permita ser mais “mente-aberta” no que diz respeito a permitirmo-nos quebrar paradigmas.
Para ilustrar o conceito de paradigma vou contar uma história de como surge um paradigma:
“Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No centro dela puseram uma escada e, sobre esta, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
Passado algum tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros batiam-lhe. Passado mais algum tempo, já nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe batiam. Depois de ser agredido repetidamente a cada vez que tentava subir a escada, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na agressão ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.”
MORAL DA HISTÓRIA: Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ” Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”
Através deste exemplo real podemos perceber que vivemos encarcerados em inúmeros paradigmas, a achar somos muito inteligentes e que detemos a verdade em relação ao porquê de certas coisas e certas realidades e não passamos de “macacos a tentar subir às árvores” e sendo espancados pela sociedade, família, amigos, religião e governos, até que nos resignamos, deixamos de querer descobrir, de “ver pelos nossos próprios olhos”, de apreender a realidade pela não-condicionada condição de seres recém-nascidos para crescermos e condicionarmo-nos ao apreendermos os paradigmas instituídos como verdades absolutas e espancarmos os próximos quando tentam subir a uma árvore diferente daquela a que temos o paradigma de achar que não deve subir.
"É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito".
Albert Einstein
E a parte mais assustadora de todas é que o próximo paradigma não pode ser jamais previsto, já que sempre vemos o futuro através do paradigma que temos no presente...
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